sábado, 22 de outubro de 2011

Impulsão.


Alvo rendido,
padrões libertos
e vestes alvas de admitir um só desejo:
querer e não querer,
paradoxos agora unidos.




Gris e o sufocar de uma vontade que passa, espaça e me deixa livre. Sangra, mas limpa. Fora dos somatórios, subtrações e resultados. Relembro, de olhos fechados, cada não olhar, as faltas da tua presença, entre as não certezas constantes. Fomos mais não que sim. Admito! Fomos bons, não os melhores. Fazer o quê?  Incompatibilidade de gênios, de corpos, de almas, e de nada, porque nada mais é necessário. Só o fim desses vícios. De compulsão à impulsão. Vôo sem esperar a pistola declarar a partida. De pistolas descalibradas estou farta, de partidas não ouso nem contar. Hora do salto!
Sinto-me então tomada de vida, toda energizada, pulsando alegria que tanto escorreu pelo ralo. Agora eu quero sentir meu corpo sem roubos. Silêncio! O que vês é o sagrado do momento.
Eu e o amor tocamo-nos, ilógicos, e ao menos nisso nos entendemos, e hoje também nos perdoamos em uma cerimônia bonita na qual grande parte da platéia chorava: eram pessoas que nos conheciam e nos queriam bem. E o que vale a vida sem testemunhas que olhem nos olhos? Mas eu falava dos passos de dança, vielas de respiro e faixas de pedestres que ousam caminhar entre corações vivos, transeuntes que sabem desenfaixar as desesperanças. E a estrada, seja em curvas ou retas, com ou sem metas eu descubro, pois seguir é a palavra, de ordem e de ousadia.
Espero o que não se espera. O relógio tira todo o encanto. Águas paradas, sem moinhos para mover me dão náuseas. O alvo? Um abraço para ficar, com seta para o permanecer. O importante? Uma travessia inteira para nascer de novo, sempre que preciso for.

Por  Rafaelle Melo.



Texto inspirado em:


"A Seta e o Alvo" - Paulinho Moska.



Obs.: Música e eu somos um híbrido. Um impuso que trago para escrita por prazer, puro prazer.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Simplesmente.



Imagem: Google




“Clouds are fading, they flew away. Sun is shining and the sky is turning blue…”*


 

Teu sorriso virou a esquina do cruzamento onde eu já não mais te esperava. Estava a alguns metros perambulando ruas desconhecidas e senti um feixe de luz alcançar-me. Chamava-me pelo nome, docemente. Podia perceber a inocência com a qual me chamava, talvez nem imaginando o tremor que posteriormente causaria no meu peito. Em passos trêmulos caminhamos a distância que o destino não quis percorrer, passos que partem de nós, para nós. Apenas. Lançamo-nos palavras que circulavam na linha tênue de impossibilidades, desejos, silêncios e vozes condutoras de carinho. O feixe de luz ia multiplicando-se, tomando meu corpo, me transportando para um lugar tranqüilo onde só havia nós dois. E olhei-te, rindo da minha própria surpresa. Admirei tua beleza marcada, presente e quis apenas um abraço teu, com toda a simplicidade. Sim, simplicidade! Quis te reiniciar como em um culto, uma cerimônia ao novo! Um susto de felicidade e recolhi-me temendo meus labirintos intermináveis. Entraria neles depois, talvez, pois agora apenas conseguia sentir teu carinho pintando-me de cores bonitas e vivas. Escarlate de rubor. Ia lançando-me, mar aberto, esquecendo-me dos últimos naufrágios, sendo apenas, e parada com água já pelos joelhos vivi toda a sacralidade daqueles sentimentos. Fechei os olhos e orei.

Por  Rafaelle Melo.




* Trecho da música “Love is here” – Sonohra.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Fertilizada.




A chuva, líquidos salpicando a existência
Toda ensopada de transparência
A vida deixando-se molhar
Fertilizando-se!
Sem temporais.
Esta noite a chuva é calma
E o rolar lento das lágrimas do céu, me fazem ver que chorar não é mal.
Na pouca luz, lá fora
há refração
da água que permite um novo olhar,
um brilho, inversão
Como espelho,
Eu sou a vida fertilizada no peito do amor que nunca é vão.

Por  Rafaelle Melo.

sábado, 1 de outubro de 2011

Claridades



Seu nome era Clara. Não tinha dúvidas.
Um dia olhou a vida de frente.
Deixou de ser clara. Passou a chamar-se humana.

Por  Rafaelle Melo.