Me incomoda quando não chego à alma. A alma é sempre a meta, o que interessa. Às vezes sinto como se só tivesse alma, e tudo que faço é gastar a vida buscando a forma de tocá-la, dar a ela vida própria. Parece-me justo visto que é ela que me dá a vida.
Sei que a vida é uma constante inspiração e olho atenta a tudo, tudo me interessa. Me move e em cinéticas me contorço em alegrias. Permaneço sentindo-me pequena, embora me veja rasgada por dentro, por falta de espaço. Traio-me nas minhas próprias linhas, em especial aquelas que não escrevo. Elas nascem, ganham vida, por vezes ficam independentes de mim, e morrem em um papel rasgado, fingindo nunca terem existido. Sepulto-as com a minha contradição de potencializar a todos, menos a mim.
O meu tempo é contado nos ponteiros dessas linhas que sobrevivem ao espírito suicida da minha criação. Sobreviveram ao medo inerente de minha natureza de me permitir ser.
Não...Esse não é meu melhor texto. Ele é apenas um grito libertador e despretensioso de poder mostrar também o que julgo ruim e de aceitar o que não é tão belo, inclusive em mim. Quem sabe assim eu consiga escrever sobre coisas importantes.
Por Rafaelle Melo.